Convergente

| 09 março 2014 |
Depois do final angustiante de “Insurgente”, é possível ter uma ideia de que aquela sociedade a qual nós fomos apresentados e, acreditamos existir, dos dois primeiros livros, não passava de um experimento, envolvido em algo muito maior, mas era quase impossível acreditar que nós iríamos nos deparar com uma sociedade ainda mais deturpada e com justificativas tão pouco plausíveis para justificar todas as suas ações imperdoáveis.

No começo do livro, nos deparamos em um momento em que as facções não existem mais. Sob o comando de Evelyn, os sem facção destituíram a antiga ordem, e acreditavam que apenas todos vivendo juntos, sem nenhum tipo de distinção, podiam evitar que algo terrível acontecesse. Enquanto isso, um grupo intitulado “Leais”, queriam a volta das facções, e um grupo incluindo Tris e Tobias, deixam as cercas, as quais ninguém jamais deveria ultrapassar, em busca de ajuda para o seu mundo, mas, o que eles encontram, é um mundo completamente diferente do que eles esperavam.

Chicago, ou lugar onde eles viviam, e onde existiam as suas facções, nada mais era que um experimento para descobrir como eliminar os danos genéticos de uma sociedade. Em um determinado momento, o governo achou que certos genes determinavam o comportamento de uma pessoa. A manipulação genética surgiu quando eles acharam que era possível deter certos comportamentos como a violência, a mentira e o egoísmo, mas essas manipulações não corrigiram os genes, mas os danificaram. As facções nada mais eram do que um experimento voltado para construir uma população com pessoas geneticamente puras, ou como os conhecemos, divergentes.

Em “Convergente” nós descobrimos que Chicago era apenas uma pequena, e quase insignificante parcela de uma sociedade que acreditava apenas em produzir pessoas perfeitas, com genes puros e assim repovoar o mundo com pessoas com qualidades melhores. Mas certos sentimentos, como raiva, dúvida e medo são parte do que nos tornam humanos, não um defeito como muitas pessoas quiseram acreditar.

Em busca dessa sociedade perfeita, o governo observou uma facção quase inteira morrer, sem fazer nada para impedir. É impossível não sentir raiva a cada momento, com o comportamento das pessoas que detêm o poder e com o comportamento de alguns dos personagens que nós já conhecemos, fazendo escolhas muito erradas se baseando em um momento de desespero.

Acredito que existia uma diferença entre um livro bom e ruim, e entre você gostar ou não de um livro. A estória política que Verônica Roth criou nesses três livros é fantástica e única, impossível de não se admirar com a sua criatividade de fazer a narrativa crescer de forma espantosa, principalmente no último livro, mas é difícil caminhar por suas páginas. Raiva é um sentimento que com certeza acompanhará os leitores por muitas páginas, seja por causa do governo, dos personagens que se inserem em um novo mundo e tomam atitudes desastrosas, da relação tumultuada (muitas vezes por motivos quase inexistentes) de Tris e Quatro e com um final chocante.


“Convergente” é um livro maravilhoso. Verônica se superou no último livro dessa trilogia, mas, eu particularmente prefiro terminar livros com uma sensação boa, de que eu caminhei junto com os personagens por aquelas páginas e chegamos ao final com o dever cumprido. Talvez, o dever tenha sido cumprido, mas um fato em particular acaba com o brilho do final e só nos deixa sofrer cheios de angústia. Não é exatamente o sentimento que eu gosto de ter ao terminar um livro, muito menos uma série, mas também não posso negar que é uma das melhores e mais criativas estórias que eu já li.

16 comentários:

  1. Ainda não li o primeiro livro da série, acho que estou bem atrasada, mas quero muito ler todos pois muitas pessoas falam super bem a respeito então estou bastante animada para ler. Espero que consiga ler logo.
    Beijos

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    1. Leia sim, essa é uma série bem interessante :D

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  2. Eu terminei de ler Convergente semana passada e minha nota para ele é 3/5. Divergente e Insurgente eu dei 5/5 + <3. Achei a história bem complicada para mim e acabei não gostando do desenvolvimento do livro. Achei muito foda foi a [SPOILER] morte da Tris. Antes de ler eu achei que o livro ai ficar péssimo, mas acabei amando. Ela virou minha personagem favorita. Morreu por ser corajosa, inteligente e altruista! Amo forte a Tris. Tobias ficou chato, nem sei se vou ler os livros dele de contos Four. Enfim, foi um bom desfecho! Divergente é minha trilogia favorita.

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    1. Eu acho que gostei bem mais da estória em si, toda a questão política e suas justificativas em torno de questões genéticas do que o spoiler que você citou. Depois de tudo o que aconteceu, de tudo o que ela passou, achei a forma como aconteceu tão banal, sabe? Sei que as intenções dela eram boas, mas acho que tiveram outros momentos que justificassem muito mais o que aconteceu. Muito obrigada pela sua opinião :D

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  3. Eu to lendo convergente agora, e acabei de ver um spoiler aqui :(( esse livro contém muito informação e eu me perco as vezes, mas não deixa de ser um livro muito bom, to amando

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    1. Que triste! Eu não coloco spoilers nas resenhas, mas não posso controlar o que o povo escreve nos comentários :(

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  4. Confesso que foi um pouco difícil ler a resenha. Não li 'Divergente' muito menos 'Insurgente' então o medo de spoiller sobe à cabeça! Mas de qualquer maneira, sinto que também vou me surpreender com esse livro, até porque tenho uma base sobre o que falam os dois primeiros. Quero ler em breve :]

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    1. Não se preocupe, nós não colocamos spoilers nas nossas resenhas, mas por favor, não leia os outros comentários hehehe :D

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  5. Li Divergente e Insurgente e eu também amei a estória. Divergente é a minha preferida e Insurgente eu não entendi muito porque sou bastante lerda, mas gostei do mesmo jeito. Estou esperando conseguir comprar Convergente pra ler, mas pela sua resenha to vendo que não vou conseguir entender muita coisa rsrs

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    1. Vai entender sim :D
      É bem legal ver como a autora desenvolveu a estória para que ela crescesse. Vale a pena ler, depois me conte o que achou :D

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  6. É tipo Jogos Vorazes? Quando pesquisei sobre essa série o último livro ainda não tinha chegado aqui no BR, tenho poucas informações da trilogia, talvez porque não gosto tanto de Jogos Vorazes e meio que associo ambas. Gostaria de saber mais 8)

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    1. Divergente é uma distopia como JV, mas as semelhanças acabam por ai. Confira a resenha do primeiro livro: http://www.caminhocultural.com/2013/03/divergente.html e entenda mais sobre essa fantástica estória :D

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  7. Só um comentário: não quero ser chato mas sou fanático por português. "estoria" está errado, o certo seria historia.

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    1. Olá senhor "anônimo". "História" é quando se trata da realidade. "Estória" é quando se trata de um tema de ficção. Eu iria amar se a estória criada pela autora fosse real, porém não é, portanto está correto o uso do termo "estória". Obrigada pelo seu comentário :D

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  8. Eu adorei o livro, mas fique super chateada com o final...

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    1. Eu também. Já conferiu nossa coluna sobre o final do livro?
      http://www.caminhocultural.com/2014/03/coluna-consideracoes-sobre-o-fim.html

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