Destino

| 31 julho 2014 |
Imagine nascer em uma sociedade onde toda a sua vida é determinada por outras pessoas. Nenhuma escolha lhe é concedida. Seus pais nunca escolheram se casar, o lugar onde você vive, onde você estuda, seu futuro emprego e a pessoa com quem passará o resto de seus dias será decidido perante o que for melhor para você, para garantir assim uma sociedade justa, sem problemas e onde todos são felizes. A não ser que algo aconteça que lhe faça repensar esse sistema.

Cassia está prestes a ir para o seu banquete do par, um momento pelo qual ela ansiou mais do que qualquer outra coisa em sua vida. Aquele seria o dia em que ela conheceria o seu futuro marido, o homem perfeito para ela. É uma surpresa para todos quando o rosto que aparece ao lado do seu é o de seu melhor amigo, Xander, porém, nada poderia ser mais perfeito. Ela nunca havia se sentido tão feliz.

Como todas as outras pessoas, que em geral não conheceram pessoalmente os seus pares antes da cerimônia, ela recebe um microchip com todos os dados de Xander, apesar de já saber tudo sobre ele, porém, acontece algo que ela jamais esperaria. Ao tentar ver as informações do microchip, não é o rosto de Xander que aparece em sua tela. O rosto que aparece é de alguém que irá fazer com que Cássia comece a questionar o mundo em que ela vive, como as decisões são tomadas, e se aquele modo de vida é realmente o melhor para uma sociedade que pode ser tudo, menos perfeita.

“Destino” é uma distopia como muitas outras que fala sobre um governo que controla os seus cidadãos, porém, esse controle aqui atinge um novo patamar.  O controle exercido abrange absolutamente cada segundo e cada aspecto da vida dos cidadãos. As pessoas são controladas enquanto dormem, pois os sonhos podem ser indícios que alguma coisa esteja errada. A comida é feita e balanceada para cada cidadão em particular, não é permitido trocar ou dar um pouco de sua comida para outra pessoa em hipótese alguma. As pessoas são controladas enquanto se exercitam, enquanto trabalham, enquanto estudam, até mesmo nos momentos de lazer. E, aos 80 anos, é a hora de morrer, pois é isso o que a sociedade define que seja o certo.

É normal em uma distopia você sentir raiva da forma como as pessoas são manipuladas, mas, em outros livros com essa temática, por mais que o governo fosse severo e controlador, eu creio que existiam muito mais brechas ou formas para que as pessoas cometessem pequenos “delitos”, portanto que não fosse nada de realmente grave. Nesse livro, cada pequena transgressão parece uma montanha de erros. As pessoas são vigiadas tão de perto que nós nos perguntamos como será possível sair de cada situação.

Quando a protagonista começa realmente a questionar o mundo onde ela vive e aquilo que está sendo designado para ela, nós também começamos a ver a insatisfação muito bem disfarçada de cada um. Essa é a narrativa em que, diante de um governo opressor, as pessoas menos se expressam e menos tentam lutar contra o que lhes é imposto. O medo aqui, medo por você mesmo, pela sua família, pelos seus amigos é muito mais real e próximo do que em outras distopias.


“Destino” fala sobre como se rebelar se mantendo na linha, se é que isso seja possível. Eles podem tirar tudo o que está ao alcance deles, mas tem coisas que estão dentro de você que ninguém jamais poderá mudar, ou talvez até possam, mas em algum lugar você sempre vai sentir que tem algo errado, você sempre vai saber que terá algo faltando. O primeiro livro de um trilogia que vai te fazer sentir muita raiva de mais uma sociedade opressora, porém, quero muito saber o que vai acontecer na sequência. 

7 comentários:

  1. eu amo distopias,vou ler ele com certeza :)

    ResponderExcluir
  2. Respostas
    1. Eu comprei pela internet Luan, tenho certeza que você pode encontrar em qualquer livraria online :D

      Excluir
  3. Amo distopias. E "delirio" me parece ser uma distopia muito boa. Apesar de suas diferenças. Como essa questao do "medo". Fiquei mt curiosa p/ conhecer essa serie distopica.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Rayane!
      São tantas distopias que existem, né? Esse é o livro "Destino", porém, nós também temos a resenha do livro "Delírio" aqui no Caminho Cultural se você quiser ler: http://www.caminhocultural.com/2013/01/delirio.html
      Obrigada pelo seu comentário :D

      Excluir