Proibido

| 27 julho 2015 |
Como uma coisa tão errada pode parecer tão certa?

Essa é a pergunta estampada na capa e que te acompanha até o final do livro, e você não consegue encontrar uma resposta satisfatória que te faça justificar o fato de que você concorda com ela.

Valores, julgamentos, preconceitos ou a noção de certo e errado que nós temos desde o nosso nascimento, o que pode ser mais forte do que o amor? É exatamente disso que trata a história maravilhosa criada por Tabitha Suzuma no livro “Proibido”.

Lochan e Maya eram dois adolescentes com uma responsabilidade muito maior do que alguém nessa fase da vida deveria ter. Com uma mãe totalmente ausente e um pai que havia abandonado a família há muitos anos, eles tiveram que assumir o papel de pais para os três irmãos menores. Com o medo constante de que alguém descobrisse a situação em que eles viviam e mandasse todas as crianças para lares adotivos, eles se esforçavam ao máximo para tentar manter um ambiente familiar saudável.

Eles dividiam essa responsabilidade com naturalidade e se apoiavam um no outro nos momentos de maior dificuldade, só realmente podendo contar um com o outro. Maya tenta ser uma garota normal quando possível, com seus colegas, professores e sua melhor amiga, porém, para Lochan, a vida fora dos muros de sua casa era um martírio.

Lochan mal conseguia se comunicar com as pessoas. Achei triste, impactante, e ao mesmo tempo maravilhoso, encontrar um protagonista tão único. Estamos tão acostumados a encontrar protagonistas atraentes, repletos de confiança e naturalmente encantadores, que, encontrar com alguém com tantos problemas de socialização, é algo que nos corrói por dentro, assistir o seu sofrimento, mas isso foi tão único e inesperado que só pode ser tratado como algo realmente sublime.

Com tamanha responsabilidade, com tamanho companheirismo, tendo que esconder do mundo o que acontece em sua casa para proteger os irmãos, Lochan e Maya desenvolveram sentimentos que ultrapassam qualquer barreira. Será que é possível amar um irmão de todas as formas existentes? É possível deixar que esse amor ultrapasse uma barreira que nós julgamos intransponível?

Eu ainda não consigo, e não sei se vou conseguir um dia, expressar corretamente o que é ler esse livro. Fico pensando o quão estranho e fabuloso foi aceitar tão facilmente aquela forma de amor, enquanto, no mundo real, eu sei que jamais a aceitaria. A autora conseguiu com delicadeza transformar algo monstruoso em um amor puro, que poderia ser algo completamente natural, se não fosse a visão que nós temos sobre como reger o mundo.

É realmente algo completamente louco o que um excelente autor pode fazer com as nossas cabeças. Como é possível corromper preceitos que, de tão óbvios, muitas vezes nós nem paramos para pensar que eles existem? Amo romances, amo histórias de amor e é chocante admitir que Lochan e Maya nasceram um para o outro, de todas as formas que alguém puder imaginar.

A capa do livro é linda e reflete de forma única o seu conteúdo. Algo simples e singelo sendo rodeado por algo perigoso. A diagramação é, como sempre, muito bem feita e agradável para a leitura.

Estou com o coração dilacerado com o fim dessa história. São tantos sentimentos conflitantes que nos acompanham desde o início, que o final acaba por destruir de vez com qualquer estrutura emocional que o leitor ainda tenha intacta até as últimas páginas. “Proibido” é um romance maravilhoso, mas que vai te levar a refletir sobre algo muito além do que a história de um casal apaixonado. Ele vai te fazer refletir sobre a vida, sobre o mundo e, finalmente, “Como uma coisa tão errada pode parecer tão certa?”.

6 comentários:

  1. Eu estou ansiosa para ler :) <33 Tipo de historia que amo

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  2. Esse livro é maravilhoso, a autora soube realmente transformar uma coisa inaceitável em um amor puro e surpreendentemente natural, lendo essa história lembrei do filme brasileiro Do Começo ao Fim.

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  3. Quero ler esse livro e já tem um tempo já parece ser muito bem escrito e a capa eu achei muito linda!
    Abraçoss.

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    1. Ele é arrasador, Marília (em todos os sentidos).
      Beijos!!!

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