Kubo e as Cordas Mágicas

| 12 outubro 2016 |
“Se você tiver que piscar, pisque agora”.

Kubo vive de suas histórias. Ele literalmente dá vida aos seus origamis quando toca suas cordas mágicas. A população da pequena vila onde ela mora ama esses momentos, mas sempre sente a frustação quando o sol se põe e o menino corre para as montanhas, sem terminar suas histórias. Ele nunca chega após esse horário, pois foi alertado por sua mãe que nunca deveria ficar fora de casa após o anoitecer. E Kubo não perderia esse momento, pois eram os poucos de lucidez que sua mãe ainda mantinha. Durante o dia, ela não era nada além de um corpo vazio.

Sem um dos olhos, que lhe fora arrancado pelo próprio avó quando ele ainda era um bebê, e tendo perdido o pai, que havia se sacrificado para que sua mãe conseguisse fugir com ele, Kubo mal poderia imaginar que descendia de uma família de grande poder, mas que queria arrancar seu segundo olho, apesar de ele ainda não entender os motivos. Quando ele contraria as ordens de sua mãe e as tias o encontram, só resta a Kubo ir atrás da armadura de seu pai, a única coisa que poderia protegê-lo.

Que animação fantástica e encantadora. Fui assistir ao filme sem nenhuma pretensão, sem sequer pensar que iria ficar tão presa por aquela história tocante, sensível e pela qualidade dos personagens e cenários apresentados.

É tão difícil pensar que as pessoas ainda vejam animações como filmes para crianças, principalmente ao ver um filme com tantos sofrimentos por parte do protagonista, apenas uma criança, que perde o único membro de sua família, mas ainda consegue encontrar a gentileza, ainda consegue amar, mesmo que as criaturas pareçam surreais, consegue crescer, evoluir, fazer com que seu poder aumente e, acima de tudo, consegue ter no coração o poder do perdão, mesmo com aqueles que lhe fizeram tanto mal.

Kubo tem como companheiros em sua jornada uma macaca, que por muito tempo não foi nada além de um pequeno amuleto de madeira e um guerreiro amaldiçoado, sem memória e parte inseto. Essas duas criaturas são primordiais em sua jornada e guardam segredos que vão partir o coração de quem se aventurar por essa jornada.

Com um final realmente inesperado, principalmente para um filme considerado “infantil”, acredito que “Kubo e as Cordas Mágicas” vai conseguir encantar a todos que o assistirem. Um protagonista realmente amável, que não conhece a verdadeira maldade, mas é mestre em nos ensinar que o bem compensa, que seguir em frente sempre é a melhor solução e que o importante é sempre ver o lado bom das coisas, mesmo que o final não seja feliz como o esperado, ele pode ser feliz o suficiente para nos fazer deixar o cinema amando a história e o personagem.

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