Véu do Tempo

| 09 junho 2017 |
Muitas vezes a fantasia pode ser melhor que a realidade. Mas, e se o sonho se tornar real, e você tiver que escolher entre um mundo de perdas e sofrimentos e um de novas oportunidades e descobertas?

Maggie sofre diariamente com a epilepsia, e todas as influencias das medicações para controlar a doença, porém, isso está prestes a acabar. Se era para algo melhor ou pior, ela não sabia, e tinha medo de descobrir, mas a cirurgia era a única oportunidade que ela teria de ter uma vida normal. Após perder a filha para a mesma doença, ela faria isso pelo filho, que ainda precisava muito dela. Esse era um plano perfeito, porém, durante uma de suas convulsões, Maggie desperta em outro século, mal sabendo a língua, mas com um homem que lhe desperta sentimentos há muito esquecidos e uma criança que lembra muito a filha que ela havia perdido.

Claire R. McDougall conduz o leitor durante quase toda a sua narrativa sem deixar claro em nenhum momento se o que ela vive é fantasia e realidade. É impossível realmente chegar a uma conclusão sobre as aventuras de Maggie durante as crises de sua doença. A protagonista também começa acreditando que todos aqueles momentos vividos em Dunadd do século VIII, seus momentos de paixão com o irmão de Rei, Fergus, e a encantadora Illa, a filha que ela havia perdido, eram frutos de sonhos muito bem elaborados e reais, porém, ao começar a ter acesso a fatos que ela nunca conheceu sobre o passado do lugar, ela realmente começa a acreditar que seus sonhos são muito mais reais e promissores que sua vida atual.

Ainda não cheguei realmente a conclusão sobre o que foi real ou imaginário na jornada de Maggie, mas não posso negar que a cada momento torcia para que no próximo capítulo ela estivesse sonhando novamente. Sua vida não era nada fácil. Ter uma doença tão avassaladora, que a impedia de viver plenamente e, principalmente, por conta dessa mesma doença ter perdido sua querida filha, era um bálsamo poder ver a protagonista se entregar novamente a vida, ao amor.

Fergus também era um homem marcado pelo sofrimento. Após perder sua mulher, ele achava que nunca mais amaria alguém tanto quanto a mãe de sua filha, até chegar em suas terras e encontrar a mulher mais estranha que ele já tinha visto.

Fergus e Maggie avançam rápido em seu relacionamento, como se soubessem que aquilo poderia escapar de suas mãos a qualquer momento. No caso de Maggie, ela tinha certeza. Sabia que era só acordar para que tudo aquilo escapasse pelos seus dedos. Ela era uma mulher dividida entre dois tempos, duas terríveis escolhas. Ficar no passado, ao lado de Fergus e Illa e nunca mais ver o filho, ou fazer sua cirurgia, tentar melhorar, ter uma vida normal e nunca mais encontrar a família que havia dado um novo sentido para a sua vida.

“Véu do Tempo” é uma narrativa em que a escolha é o ponto principal, mas nós sabemos, desde o começo, que nenhuma das escolhas será completamente feliz. Viver em sonhos ou na triste realidade, onde a perda estará sempre presente? Mas, se o sonho for tão real e precioso quanto aquilo que você está deixando para trás? Um livro sobre escolher entre dois amores, dois tempos, duas vidas. Apaixonante em todos os momentos. 

Um comentário:

  1. Oi Jana,
    que escolha difícil essa da personagem.Entre uma realidade bem difícil e um sonho ( ou não), muito mais feliz!

    Gosto dessa mistura entre o presente e o passado... Só o que me deixou um pouco incomodada com a história, é exatamente por falar de um problema real na minha vida. Meu filho tem epilepsia e não é nada fácil!

    Mas quem sabe eu ainda leia? ;)

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