Jovens de Elite

| 24 setembro 2017 |
Muitos morreram após uma misteriosa febre que assolou o mundo, porém, alguns jovens sobreviveram com terríveis marcas em seus corpos, que para sempre os separariam dos demais. Quando alguns desses jovens começam a surgir com poderes especiais, o mundo os teme e todos os malfettos começam a ser perseguidos.

Adelina sempre foi maltratada pelo pai e sofreu humilhações por sua aparência. Por ter perdido um olho por conta de sua doença, não era tão bela quanto a irmã, a única naquela casa que parecia ao menos ser tratada com um pouco de afeto. Quando o pai resolve vendê-la para o primeiro pretendente que parece interessado, ela resolve fugir, mas seu pai não perderia o melhor negócio que poderia ser feito com ela. Na fuga, Adelina finalmente desabrocha seus poderes, sombras que ela nunca imaginou poder controlar. Ao tentar fugir do pai, o mata no processo, e é presa pelo seu crime.

Apesar de tudo, Adelina estava feliz por ter acabado com aquele que só lhe trouxe sofrimento. Aquele que deveria protegê-la e só lhe trouxe amargura e ódio. Quando o fim finalmente chegou, quando ela seria queimada em praça pública, para que todos pudessem ver o fim de mais um malfetto transgressor, aparecerem aqueles a quem o governo mais teme. O maior grupo de malfettos com poderes de quem se tem notícia. Os Jovens de Elite.

Sou completamente apaixonada pela série “Legend”, por essa razão, sabia que iria encontrar uma história fascinante quando começasse a ler “Jovens de Elite”, mas nunca, nem nos meus melhores sonhos, imaginaria que a autora Marie Lu conseguiria criar algo ainda mais impactante que sua série anterior.

Aqui temos uma narrativa onde não existem mocinhos. A protagonista sofreu muito em sua vida e encontra nos Jovens de Elite a primeira família de verdade da qual ela poderia fazer parte, porém, a escuridão dentro do seu coração era muito maior do que ela poderia conter. Estar em meio à guerra que eles travavam contra o governo para tomar o poder, lidar com a chantagem de um Inquisidor que estava de posse de sua irmã e estar apaixonada por alguém que talvez não visse quem ela realmente era, fazia com que a sua escuridão, e a maldade que ela poderia causar, crescesse cada vez mais.

Enzo Valenciano é um personagem único. Líder da Sociedade dos Punhais, também conhecidos como Jovens de Elite, é o real herdeiro do trono, o príncipe que foi banido por também ficar marcado após a febre do sangue. Suas marcas não chegam perto do desejo de vingança que ele carrega dentro de si, da vontade de ver sua irmã longe de seu trono e ele governando, como era o seu direito de nascença.

Toda a narrativa se desenvolve a partir desse tema. Não temos nenhum personagem aqui que seja realmente bom, que pense no próximo a qualquer momento ou que só tenha amor em seu coração. Mesmo assim, a autora foi capaz de criar personagens cativantes, mesmo que de uma maneira deturpada. É como se ao entendermos a dor e o sofrimento de suas almas, o ódio que eles carregam no coração, justificasse, mesmo que por apenas um momento seus atos vis. Marie Lu foi realmente única ao manipular nossas emoções de forma tão questionável.

Durante todo o livro somos apresentados a um mundo de pessoas egoístas, uma protagonista com poderes impressionantes, não necessariamente usados para o bem, e momentos de grande impacto. Não existe uma só página onde acontece algo previsível ou que não seja profundamente impactante, porém, mesmo essa expressão não é o suficiente para descrever o choque e a dor do final dessa narrativa. Até agora eu não consegui decidir se chorei de tristeza, raiva, pena, angústia, ou uma mistura de todos esses sentimentos ao fechar a última página dessa obra prima.

“Jovens de Elite” é um livro que não existe palavras que descreva o quão incrível é o sentimento de conhecer Adelina, entender seus próprios sentimentos, sua raiva, sua dor e ficar ao seu lado, mesmo nos momentos em que a vingança e o ódio nublam tudo aquilo que ela acreditava ser certo. Ou pelo menos fingia acreditar, se não para os leitores, para ela mesma. Uma das minhas melhores leituras dos últimos tempos. Esqueça tudo o que você já leu de distopias e fantasias. Esse livro é a melhor mistura dos dois que eu já li. 

2 comentários:

  1. Oi Jana,esse livro já está entre os que pretendo ler em breve.
    Acho que a história não tem mocinhos(as),por eles terem passado por situações terríveis em suas vidas.
    Sofreram "deformidades" e preconceitos por esse motivo.
    Assim como também acredito que façam tudo em benefício próprio,por proteção.

    Quanta a Adelina,espero poder conhecer a história dela logo,logo.
    Gosto de dar uma de psicóloga usando personagens. :)

    Amei a sua empolgada indicação!

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  2. Jana!
    Com muita vontade de ler toda a série.
    Ver que a mocinha está mais para vilã é um diferencial imenso, principalmente em livro de fantasia, onde muita coisa é igual e aqui ela se diferenciou...
    Desejo uma semana maravilhoso!!
    “O primeiro passo para a cura é saber qual é a doença.” (Provérbio Latino)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE SETEMBRO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

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