Minha Lady Jane

| 26 janeiro 2018 |
Uma história super fantasiosa, mas incrivelmente deliciosa da nossa história. Jane Grey era uma amante dos livros. Prima do Rei Eduardo VI, após a “morte” do mesmo, ela se vê forçada a assumir o trono da Inglaterra, além de um casamento muito intrigante com um homem que durante o dia era um cavalo. Um pouco estranha essa história? Bom, ela é tão estranha quando fantástica.

As autoras Cynthia Hand, Brodi Ashton e Jodi Meadows se apropriaram de uma certa passagem da história da Inglaterra para criar uma narrativa muito menos trágica e incrível de se ler. Quando o Rei Eduardo VI, um garoto mimado, em que a maior ambição de sua vida era finalmente beijar uma garota, se encontra a beira da morte, devido a uma grande doença – que de doença não tinha nada, o Rei estava sendo envenenado – ele é convencido pelo seu principal conselheiro a nomear sua prima, Jane Grey, para ser sua sucessora. O mesmo conselheiro, aliás, também convenceu o Rei a casar a prima com o próprio filho. Preciso dizer quem era o responsável pelo envenenamento em questão?

Voltando a narrativa, Jane se casa com Gifford, um claro exemplo da fantasia em que as autoras criaram para esse livro encantador. O marido de Jane era um ediano, ou seja, ele tinha o poder de se transformar em um animal, nesse caso, um cavalo. Diferente de outros edianos, Gifford não conseguia controlar sua transformação, todos os dias, do nascer ao pôr do sol, ele virava um animal que amava comer feno e maças, portanto, considerava aquilo uma maldição.

O quão divertida é essa narrativa! Nossas narradoras não se encabulam em interromper a história a todo momento para comentarem suas opiniões, fatos históricos que realmente teriam acontecido, ou licenças poéticas que elas se permitiram durante aquelas páginas. Todos os personagens são de uma eloquência única. Capítulos narrados por Eduardo, Jane ou Gifford, sempre trazendo características únicas de cada personagem, mesmo que seus pensamentos mais recorrentes sejam sobre beijos, livros ou o cavalo nosso de cada dia.

Ser envenenado, fugir do palácio – descobrindo um modo muito peculiar de voar pela janela –, ser cuidado por uma avó que trata o Rei como se ele não passasse de um menino (apesar de ser verdade) e ser salvo por uma ladra que teria sua cabeça cortada se tivesse que pagar por todos os seus crimes (coisa impossível de se acontecer quando se é amiga do Rei e ele deseja mais do que tudo finalmente beijá-la) fez com que Eduardo amadurecesse, pelo menos um pouco, e tivesse consciência do péssimo Rei que ele sempre foi para o seu povo.

Já para Jane e Gifford, as descobertas foram completamente diferentes. Duas pessoas que jamais imaginaram dividir a vida com alguém. Duas pessoas que em determinado momento não conseguem mais imaginar a sua vida sem o outro. Um casal que, mesmo sem nunca ter conseguido finalmente consumar o casamento (não por falta de vontade, mas de oportunidade), consegue ajudar o Rei a recrutar um exército para que ele finalmente estivesse apto a lutar pela sua coroa (e punir a irmã malvada e sangrenta que amava mais a coroa que o próprio irmão).

“Minha Lady Jane” é uma narrativa muito peculiar. Uma passagem nada agradável da história da Inglaterra transformada em uma leitura engraçada, romântica, perspicaz e com muita magia. Um livro dedicado para todos aqueles que sabem que havia espaço o suficiente para Leonardo DiCaprio naquela porta e que a história às vezes precisa de uma mãozinha. Leitura imperdível!

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