Amor em Jogo

| 10 março 2018 |

Ashtyn sente que foi abandonada por todos em sua vida. Para tentar se aproximar do pai, ela entra para o time de futebol americano da escola – composto apenas por meninos –, mas se apaixona pelo esporte, por mais que o pai não ligue que ela faça parte do time. Derek perdeu a mãe, que ele amava imensamente. O pai, por ser um oficial da marinha, passa mais tempo no mar do que ao lado do filho e de sua nova esposa. Após ser expulso de sua escola, Derek se muda com a madrasta a antiga casa da mesma, onde ela viveu há muitos anos com o pai e a irmã, Ashtyn. Derek e Ashtyn, morando juntos, descobririam todas as feridas que ainda estavam vivas em seus corações, feitas por pessoas que os abandonaram, mas que ainda poderiam ser curadas.

Esse é um daqueles livros super fofinhos que você quer abraçar a autora e pedir por mais. Simone Elkeles foi muito feliz em criar protagonistas tão jovens, mas já tão feridos pelo abandono e a perda. Ambos escolheram se fechar de alguma forma, para não sofrerem novamente, mas é como se eles encontrassem no outro uma alma igual a sua, algo do qual eles não poderiam fugir.

A protagonista foi abandonada pela mãe e pela irmã. O pai parece não se importar com ela, por mais que Ashtyn se esforce para chamar a sua atenção. Quando a irmã volta, com o filho pequeno e um enteado com a sua idade, ela tem medo de se apegar a eles e perdem alguém que ama novamente. O sobrinho não a conhece, e ela tenta se aproximar dele de todas as formas possíveis. É como se, com uma criança, com um ser ainda puro, ela não tivesse tanto medo de se machucar. Fica muito claro nesse relacionamento a necessidade que ela tem de atenção, de se sentir querida e especial.

Derek era um astro do futebol, mas perdeu a oportunidade de estar com a mãe em seus últimos momentos exatamente porque preferiu ir para o seu treino, algo que o corrói todos os dias. Por não querer se aproximar realmente de alguém, não querer deixar que uma pessoa encontre o caminho em seu coração, ele está acostumado a relacionamentos curtos e sem o envolvimento de sentimentos. Conhecer Ashtyn e sentir por ela tanto amor era algo que Derek não esperava, ou estava pronto para enfrentar. O fato de não querer magoá-la, era pior do que realmente tentar não machucar o seu coração, pois era exatamente isso que ele conseguia com o seu distanciamento.

Essa narrativa cria um romance realmente lindo. Os protagonistas são jovens, têm a vida toda pela frente, mas conhecem melhor do que muitos adultos como é amar alguém com todo o seu coração e perder essa pessoa, seja pela morte ou pelo abandono. O fato deles quererem se proteger é completamente compreensível, mas nem por isso eles mentem para eles mesmos sobre os seus sentimentos. Apesar da fachada, sofremos com eles por todo aquele amor reprimido, que pode ter o poder de curar corações já tão machucados pela vida.

“Amor em Jogo” não é apenas um simples romance adolescente que te fará suspirar pelos protagonistas. É uma narrativa sobre sofrimento e culpa, sobre encontrar alguém para amar, alguém que não irá te machucar, sobre se perdoar e recomeçar. O amor está em jogo aqui, em todos os sentidos.

2 comentários:

  1. Gosto muito de um romance adolescente. Principalmente quando há uma carga emocional como a dos dois personagens principais.

    Que bom que os dois tenham se encontrado em um momento tão difícil.
    E mesmo sem ainda conhecer a história, torço pelos dois.

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  2. Olá Jana! Curto muito um romance adolescente e essa resenha me deixou bastante curiosa em conferi essa história que parece super emocionante.
    Bjs

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