Antes que eu me esqueça

| 25 março 2018 |

A trajetória de uma mulher inteligente e perspicaz que se vê diagnosticada com demência. A vida de Christine Bryden pelos olhos da própria autora, por mais que ela precise de alguma ajuda para lembrar de certos fatos de sua existência. Alguém que tinha a vida pela frente, mas que ainda tem muito para viver.

Ler esse livro foi algo realmente estarrecedor. Christine não é alguém que imaginaríamos ter sido diagnosticada com demência. Suas palavras e ações, mesmo após o aparecimento da doença, são tão elaborados e cientes que é difícil acreditar que seu cérebro esteja realmente se deteriorando, assim como muitos que passaram por sua vida também acharam.

A autora narra desde a sua infância, com uma mãe muito presente que estimulava o tempo todo sua mente. Ela desafiava a filha de todas as maneiras possíveis, como se ela já soubesse que ela precisaria de todos aqueles estímulos um dia.

Após relacionamentos muito conturbados, inclusive com agressões físicas frequentes, Christine estava a caminho de encontrar um pouco de paz com suas filhas e um ótimo emprego. Ela sempre se gabou por sua ótima memória e eloquência, por isso mesmo era ainda maior o seu sofrimento quando se esquecia de coisas pequenas como o que tinha pedido para o jantar ou como ligar o carro.

 Quando pensamos nessa doença, sempre imaginamos pessoas muito mais debilitadas e dependentes do que Christine. Por mais que sua situação piore a cada dia, sua lesão no cérebro é algo tão grave que ela já não deveria nem mais conseguir se comunicar facilmente com as pessoas. Apesar de ter dificuldades em articular algumas frases e esquecer fatos importantes, como a autora mesma cita, ela ainda consegue disfarçar muito bem seus problemas. Quem não a conhece, nem desconfia que ela tem essa condição.

Apesar de tantas coisas terríveis, é apaziguador ler quando a autora narra que finalmente encontrou o homem certo. Aquele que ficaria ao seu lado até o fim, mesmo quando ela não tivesse condições de fazer mais nada sozinha. O que é inclusive o que acontece. Christine e Paul viajam pelo mundo dando palestras sobre a condição de Christine, explicando para as pessoas o que exatamente é essa doença e o que fazer para tentar evitá-la.

Depois de tanto sofrimento narrado pela autora, e por todo sofrimento que sabemos que ainda virá, pois essa é uma doença que não tem cura, é impossível não se alegrar por saber que ao menos ela encontrou a pessoa certa, depois de tantos relacionamentos traumáticos, alguém que seguraria a sua mão até o último momento.

“Antes que eu me esqueça” é uma lição para todos nós. Christine foi muito corajosa em expor dessa forma a sua doença e sua vida para que outras pessoas na mesma situação encontrem um igual em que se espelhar: Alguém que nunca desiste e que encara seus problemas sempre de frente. E disso, ela nunca se esquece.

Um comentário:

  1. Nossa, como deve ser difícil receber um diagnóstico desse...
    E quanta força e garra para prosseguir é preciso ,estando em uma condição como essa.

    Eu não conhecia esse livro,e fiquei surpresa que a própria autora Christine sofra dessa doença.

    Bem,deve ser uma história emocionante,mas também nos trás um alerta de como tentar evitar essa situação.

    Boa dica!

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