Sociedade da Rosa

| 30 março 2018 |

Enzo está morto. A sociedade dos punhais lhe expulsou de seu grupo. Tudo o que resta a Adelina é sua irmã, além da sua raiva e seu desejo de vingança. Agora, ela iria conseguir sua própria equipe de Jovens de Elite. Eles lhe ajudariam a derrotar todos aqueles que já a feriram e a tomar o trono de Kenettra para si. Nenhum malfetto sofreria novamente e ela passará por cima de todos aqueles que se pusessem em seu caminho.

“Jovens de Elite” é um livro que superou todas as minhas expectativas, mas “Sociedade da Rosa” me deixou atirada no chão sem que ninguém pudesse me levantar. Que obra inacreditável! Marie Lu criou uma protagonista que não tem nada de mocinha, principalmente nesse livro. Adelina é alguém que tem as trevas dentro de si, sua força vem do medo e da raiva daqueles que estão ao seu redor. A paixão pode guiá-la, mas ela não supera o prazer que causar dor a alguém pode lhe trazer. Vozes em sua cabeça remetem a sua loucura, mas suas ações são fruto de alguém que só deseja vingança, mais do que tudo em sua vida.

O fato do livro ser narrado em primeira pessoa, nos traz sentimentos muito contraditórios por todas aquelas páginas. A protagonista não é alguém carismática, mas também nos enreda em sua teia de ilusões, o que torna todos os seus atos passíveis de desculpas para o leitor. Seus atos de maldade são justificados pelo seu sofrimento, seus medos o estopim de suas ações e sua paixão esconde o que no fundo não passa de ganância.

Uma personagem que seria facilmente odiada se não fosse a narradora dessa história. A autora não apenas nos faz entender e aceitar os seus atos, como também torcer que seus planos sejam bem-sucedidos, mesmo quando ela está claramente cega pelo ódio e ambição.

Seus novos “amigos”, Jovens de Elite e mercenários, a seguem pois reconhecem o seu poder e tudo o que ela pode trazer de benéfico para eles. É como todos se usassem o tempo todo, sempre em prol das suas próprias vontades egoístas. Mesmo quando alguém aparece na vida de Adelina parecendo realmente se importar com ela, sua escuridão é tão forte que nada pode sobrepujá-la.

O retorno de um personagem muito importante foi algo estarrecedor. Toda a narrativa gira em torno do antes, durante e depois dessa cena crucial. É quando uma chance de esperança se acende, quando pensamos que essa pode ser a chance de todo o medo e raiva ser sobrepujado por um sentimento mais positivo, porém, acontece exatamente o contrário. Os mortos devem ficar onde estão, ou podem trazer ainda mais escuridão para um coração já tão tomado pelas trevas.

Enquanto isso, a Sociedade dos Punhais também planeja derrotar a Rainha de Kenettra e assumir o trono, mas Teren Santoro, um dos Jovens de Elite mais poderosos e Líder da Inquisição, jamais abandonaria sua Rainha, mesmo que essas fossem as ordens da própria soberana. Isso só resultaria em uma guerra entre Adelina e sua Sociedade da Rosa, a Sociedade dos Punhais e a Inquisição.

“Sociedade da Rosa” não é apenas uma continuação, é a evolução de algo que já foi tão impactante e formidável em seu primeiro livro. A autora manipula o leitor enquanto nos faz compreender e aceitar as atitudes de alguém cruel como protagonista. A história de Adelina é uma das mais incríveis que eu já tive a oportunidade de acompanhar. Não posso esperar nem mais um segundo para iniciar o seu desfecho.

2 comentários:

  1. Jana, não li o primeiro livro "Jovens de Elite".
    E não imaginei uma história tão densa como nos contou. Assim como também não imaginei que a personagem principal fosse extremamente vingativa .
    É difícil encontrar uma personagem feminina tão cruel assim.
    E acho que aí está o charme da série.
    É diferente!

    Não sei como a autora conseguiu fazer com que o leitor torça pela Adelina... De "mocinha" ela não tem nada.

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  2. Olá Jana! Ainda não li o primeiro livro, curto muito esse gênero e cada resenha que vejo dos livros me deixa ainda mais curiosa em conferi isso tudo que dizem.
    Bjs

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