A Escola do Bem e do Mal

| 23 maio 2018 |

Viver seu próprio conto de fadas pode ser um sonho ou um pesadelo. Ser raptada de seu lar e entrar em uma escola onde o bem o e mal nunca estiveram tão bem delimitados pode ser assustador ou revelador. Enfrentar esse mundo e tentar mudar suas regras pode ser a única saída para um final realmente feliz.

Ás vezes, começamos um livro não muito animados com aquela história e terminamos completamente apaixonados pelo universo desenvolvido por um autor genial. Soman Chainani não fez apenas uma releitura de um conto de fadas, mas recriou todo um universo de príncipes e princesas, bruxas e vilões, bem e mal, de forma como nunca antes vista.

No primeiro livro da série, somos apresentados a Agatha e Sophie, duas meninas tão opostas quanto possível. Sophie quer ser perfeita, doce e bondosa, como uma verdadeira princesa. Agatha, não tão bela e sociável, só quer ser deixada em paz, em seu canto, vivendo sua vida solitária. Uma amizade totalmente improvável, mas sincera, leva as duas a uma aventura ansiada por Sophie e que amedronta Agatha.

A cada quatro anos, o diretor da escola escolhe duas crianças do vilarejo para estudar na Escola do Bem e do Mal. Essas crianças são tiradas de suas famílias para aprenderem a se portar conforme sua escola e, no futuro, viverem o seu próprio conto. Nada poderia espantar mais Agatha e Sophie, exceto que ambas são escolhidas, mas para escolas completamente diferentes do que qualquer um poderia imaginar. Enquanto a linda Sophie é despejada na Escola do Mal, a raivosa Agatha é destinada a treinar para ser uma verdadeira princesa. Achando que foram trocadas, Sophie vai tentar de tudo para que esse erro seja corrigido, enquanto tudo o que Agatha deseja é que ela e sua amiga possam voltar para casa.

Amei conhecer duas protagonistas psicologicamente tão bem desenvolvidas. O autor soube como conduzir as personagens durante o livro para que elas realmente se conhecessem, entendessem suas reais ambições e motivações, evoluíssem até se encontrarem no lugar em que estavam, quem elas realmente queriam ser.

O bem e o mal, aqui aparentemente tão bem dividido entre as escolas, pode ir muito além de vilões e heróis, certo e errado. É incrível ver que amizade pode ser mais forte que qualquer outro sentimento, mesmo que sua índole não seja tão boa, suas escolhas definem quais sentimentos podem se sobressair. Mesmo alguém que deseja ser boa, quando contrariada, quando perde tudo aquilo que mais desejou, pode se tornar a pior das vilãs, escolher ferir e magoar, mesmo que seja com intenções não tão cruéis assim.

Nessa história de contos de fadas temos princesas, bruxas e, é claro, príncipes. O mais importante da narrativa, Tedros, nos é apresentado como um modelo tão clássico do personagem que só faltou o cavalo branco para estar completo. Porém, mesmo o príncipe não é tão perfeito assim. Filho do famoso Rei Arthur, teme o amor de contos de fadas, pois o final de seu pai, devido a um certo cavaleiro, não teve um final tão feliz assim.

Tedros é um príncipe desprezado pela princesa e objeto de desejo da bruxa, que deseja reinar ao seu lado. Agatha acredita que se Sophie ficar com Tedros, elas conseguirão voltar para casa, ao provarem que não existe realmente só o mal na escola de vilões. Ao mesmo tempo, Agatha não encontrará seu príncipe, provando que não existe só bem para as princesas. Porém, o principal foco da narrativa é provar que não importa suas ambições ou desejos, o que importa é o que cada pessoa realmente carrega no fundo do coração. Você não consegue esconder eternamente a sua verdadeira essência, por mais que deseje algo que está do outro lado, fora de seu alcance.

“A Escola do Bem e do Mal” é um conto de fadas incrível e original. Uma escola para príncipes, princesas, bruxas e vilões que ensina muito além de criar um personagem para sua própria história. Os amantes de fantasia e histórias clássicas vão amar essa narrativa e se deliciar com tantos personagens que você se lembrará de ter visto em algum lugar. Incrível e encantador. Mal posso esperar começar o próximo livro para continuar em busca do meu “E viveram felizes para sempre”.

2 comentários:

  1. Jana,pelo seu entusiasmo em nos contar sobre essa história, confesso que fiquei na expectativa de ler o livro.
    Sinceramente não imaginei que a trama fosse tão bem construída. E como também gosto muito de livros de fantasia,acho que vou gostar.
    Bem, personagens não tão perfeitos como de fato a vida é, dão um quê a mais na história.
    E lendo a sua resenha, gostei mais da Agatha . ;)

    ResponderExcluir
  2. Olá Jana! nossa, sou doida pra ler esse livro e agora depois de ler essa sua resenha fiquei ainda mais curiosa em conferi isso tudo que foi dito aqui, essa série promete.
    Bjs

    ResponderExcluir