Um Verão na Itália

| 17 maio 2018 |

Uma jovem roteirista buscando encontrar seu lugar no mundo. Um ator de sucesso tentando se esconder dos holofotes. Destinos que se cruzaram há muito tempo, deixando em Cesca um ódio imensurável por aquele ator que arruinou sua carreira. Sam mal se lembrava da roteirista promissora que cruzou um dia sua vida em um de seus piores momentos, e mal sabia o estrago que havia feito em sua vida.

Cesca era uma roteirista promissora. Seu primeiro trabalho foi imensamente elogiado, todos admiravam seu talento e sabiam que ela iria longe em sua carreira. Tudo seria perfeito, se o ator principal, Sam, não desaparecesse antes da estreia, consequentemente, cancelando o espetáculo e todos os sonhos de Cesca, que nunca mais conseguiu escrever sequer uma linha. Anos depois, ela não parava em um emprego e era infeliz em todos eles, quando seu tio lhe arranja uma vaga para cuidar de uma bela casa na Itália, onde ela poderia descansar, espairecer e tentar voltar a colocar algo no papel. O que ela não esperava é que a casa pertencesse a família de Sam, e que o próprio também precisasse de um refúgio naquele momento.

Sam queria novos papeis, novas oportunidades. Apesar de ser um ator mundialmente famoso, ele desejava novos desafios em sua carreira, mas isso não envolvia um escândalo com uma mulher casada. Por nunca ter desejado esse tipo de exposição, Sam resolve se esconder em uma propriedade da família, isolada do mundo, onde ele poderia tentar colocar sua cabeça em ordem. Sam apenas não esperava encontrar no lugar dos caseiros habituais uma jovem que parecia odiá-lo com todas as suas forças.

O primeiro livro da série "As irmãs Shakespeare" nos apresenta uma irmã que perdeu os seus sonhos quando nova e não conseguiu se reerguer. Ela tinha medo, pavor, de tentar novamente e por essa razão culpava aquele que destruiu por completo sua primeira grande realização.

Amei como a autora, Carrie Elks, criou uma personagem tão amedrontada com a própria vida, com as possibilidades, mas que reage de forma agressiva para se defender, em vez de se esconder. Alguém que escolheu um objeto, nesse caso Sam, para ser o responsável por tudo que deu errado em sua vida. O quanto podia ser fácil odiar alguém, culpá-lo por todas as tristezas, ao invés de levantar a cabeça e seguir em frente.

O quão interessante é ver Cesca realmente crescer, olhar para trás e perceber o quanto ela perdeu por passar o seu tempo culpando Sam pelo seu fracasso, quando podia ter se levantado e começado novamente, fazendo aquilo que ela amava.

Sam foi realmente alguém muito forte por aguentar tantos dias o gênio de Cesca e seu ódio "parcialmente justificado". Aquela situação pode ter sido complicada, mas também era uma distração dos seus próprios problemas, principalmente quando essa distração era alguém tão atraente e desafiadora, principalmente nos momentos em que a paz reinava entre ambos.

Não temos aqui uma relação de amor e ódio totalmente injustificada. A protagonista nutria um ódio por uma situação que foi transferido para a figura de Sam. Quando ela começa a entender esse fato, começa a ver o ator com outros olhos e sua criatividade parece desabrochar de uma só vez, trazendo tudo o que havia ficado trancado dentro de si por tantos anos.

"Um verão na Itália" é uma narrativa sobre como as pessoas podem se esconder perante uma decepção, o quanto elas podem criar subterfúgios para não tentar novamente. O quanto uma oportunidade pode mudar a sua vida, e te fazer ver o que aconteceu sob uma nova perspectiva. Sam e Cesca não vivem apenas um romance, mas uma história de superação e autoconhecimento.

2 comentários:

  1. Jana,eu gosto muito de livros ou filmes em que há um romance em lugares lindos como a Itália.
    Sei que a história parece ser bem mais profunda,mas a capa do livro já me deixa com muita vontade de conhecer esses personagens.
    E cá entre nós que a Cesca tem lá os seus motivos para detestar o Sam.O problema é que ela simplesmente desistiu de prosseguir.

    Bem, sempre gostei de romances assim. E assim que der , pretendo ler.

    ResponderExcluir
  2. Jana!
    Não conhecia a autora e ainda não tinha visto resenha em lugar nenhum.
    A problema trazida no livro é mais frequente do que podemos imaginar, quantos se portam da mesma forma que a protagonista, não é mesmo?
    Gostei!
    Maravilhoso final de semana!
    “Eu gosto de escutar. Eu aprendi muito escutando cuidadosamente. A maioria das pessoas nunca escuta. “(Ernest Hemingway)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA MAIO BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

    ResponderExcluir