As Mil Noites

| 29 setembro 2019 |

Autora: E.K. Johnston
Editora: Intrínseca
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Algumas histórias não precisam ser contadas... elas precisam ser vividas.

Uma garota que se entrega a um monstro para poupar a vida da própria irmã. Por ela seu povo começa a orar, achando que era certo o seu destino. Após tantas esposas mortas, o destino daquela garota não poderia ser diferente, a não ser que ela tivesse um poder que nenhuma das esposas anteriores tinha. Nenhuma delas havia se tornado um Deus vivo, alguém que respondia preces alheias, com o poder de transformar ilusões em realidade.

Algumas histórias tem o dom de, mesmo com diversas releituras, terem fôlego para nos encantarem. Esse livro, apesar de partir de uma narrativa muito conhecida, consegue enredar por um caminho bem peculiar, construindo um enredo deveras singular, apesar de muito incomum quando se trata de uma releitura.

Vamos começar pelo fato de que a maioria dos personagens principais não tem nome. É, isso mesmo, poucos personagens na história são chamados por outro nome que não os seus títulos. Porém, é algo tão bem escrito, tão fluído, que me choquei absurdamente ao só perceber realmente esse fato nos agradecimentos, quando a autora, E. K. Johnston cita o que foi feito. Estou chocada até agora com a forma com a qual eu fui manipulada (de forma positiva) para me envolver tanto com a narrativa e não perceber algo tão importante.

Nessa obra, a protagonista tem uma forma bem peculiar de narrar suas histórias. Diferente da obra original, ela não envolve seu marido em contos, noite após noite, para permanecer viva. Sua vida é poupada por motivos que só descobrimos ao longo do livro, suas histórias são muito mais desejos/premonições, do que narrativas para entretenimento, e o seu poder pode ser comparado ao do algoz que ela agora chamava de marido.

Lo-Melkhiin, um dos poucos personagens nomeados na história, o Rei cruel que matou dezenas de outras esposas, também é muito intrigante a princípio. Um homem fantástico, um Rei justo e exemplar que, um dia, após voltar de uma caçada, estava completamente diferente. Apesar continuar a ser um bom Rei, suas atitudes podiam não serem tão bem vistas, incluindo seus muitos matrimônios e o fim cruel de todos eles.

Foi interessante o tema que a autora criou para justificar os atos do Rei e os poderes da protagonista. Em algum momento da história, nos esquecemos em que livro ela foi baseada e estamos totalmente enterrados naquelas areias, tentando encontrar uma solução que não seja tão amarga para alguém no final.

"As Mil Noites" é um incrível livro de fantasia. Imaginei que ele fosse um pouco mais romântico pela sinopse, mas nada que deixe a desejar, muito pelo contrário. A trama é muito bem escrita e segue por um caminho bem diferente do que somente a história de um casal, vai muito além disso, o que me conquistou imensamente.

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