Coringa

| 03 outubro 2019 |

Colocar um sorriso em sua cara pode ser difícil, mas, aplaudir de pé, será inevitável.

Não sei exatamente o que esperava desse filme, mas, com certeza, nada chegou perto do que nos foi entregue pelo diretor Todd Phillips e pela grandiosa atuação de Joaquin Phoenix.

Um vilão icônico em sua representação mais humana. Deixamos de lado a magia, imaginação, heróis de capas e encaramos um homem e todas as suas perdas, dores e conflitos, preso em uma mente tomada pela loucura, com um sonho não passível de ser realizado. Esse homem não é um vilão que podemos facilmente odiar. Ele é algo criado por uma sociedade que exclui aqueles que mais precisam de ajuda, que sofrem em silêncio, mesmo tentando manter um sorriso no rosto, porém, no fim, sucumbe a algo que lutou contra, por muito tempo.

Falta de opção? Abandono da sociedade e de seus governantes? Uma maldade que já vinha entranhada dentro de uma mente que, maltratada desde a infância, perdeu todos os resquícios de sanidade e, com ela, sua humanidade?

Um longa com um protagonista tão complexo, tão diferente de outras narrativas com personagens nascidos nos quadrinhos que, se não fossem as referências a personagens, situações e lugares, tão concedidos do público em geral, seria fácil assumir um outro título e, ainda assim, teríamos na tela um filme genial.

A DC fez uma aposta alta com esse filme, compreendendo que os fãs agora têm uma forma diferente de maturidade, e esperam filmes menos infantis e fantasiosos de seus heróis, ou vilões. Esse é um caminho maravilhoso a ser tomado e pode ser a forma certa de moldar os próximos filmes para, finalmente, bater de frente com a Marvel, mas seguindo uma linha bem distinta.

Não espere sair do cinema menos do que chocado. "Coringa" é um filme que reescreve completamente a história desse personagem icônico, de forma tensa, violenta e arrasadora. Sempre vimos suas piadas e loucuras pelo lado de fora, em outros filmes. O lado de dentro é bem mais assustador.

Nenhum comentário:

Postar um comentário